Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

Podcast, a palavra do ano


PODCAST...

... ouvi essa palavra pela 1ª vez no trabalho, no final do ano passado. Uma amiga comentou: "Você já ouviu Podcast?". Depois de uma breve explicação, até achei interessante o que ela havia me dito. Cheguei em casa, procurei algo no Google, mas não cheguei a me aprofundar no assunto. Não foi daquela vez. Passado algum tempo, em uma visita rotineira à banca de jornal, me deparei com uma revista com a capa em

fundo preto e os dizeres em verde-limão: "PODCAST, a nova mania da Internet". Não cheguei a folhear a revista, mas aquelas letras ficaram na minha cabeça. Ao chegar em casa, entrei no Google para me aprofundar melhor no assunto. Resultado: Descobri que podcast é algo extremamente útil e que está causando realmente uma revolução nas comunicações. Mas o que é esse tal de PodCast?

Resumindo, assim como os Blogs estão para os jornais, os Podcasts estão para o rádio e a TV. Ok, ainda não ficou claro, eu sei. Mas vamos lá, Podcast é um arquivo em ".mp3" onde você escuta notícias de um site (ao invés de precisar lê-lo, já que muitos acham cansativo ficar lendo na internet), escuta um programa sobre tecnologia onde duas ou mais pessoas discutem semanalmente ou diariamente sobre um determinado assunto, foruns sobre economia, política, humor, novelas, talk shows, cursos de inglês (sim, você tem como aperfeiçoar o seu inglês em mp3), pode ouvir programas de DJ's que disponibilizam as novidades no mundo da música e etc.

Agora é para todos!
Pessoas comuns estão gravando com um simples microfone, programas dedicados aos mais diversos assuntos. A maioria dos Podcasts são de pessoas já especializadas em alguma área, como o Podcast do PAPOTECH (http://www.papotech.com.br), onde os dois apresentadores trabalham diretamente com TI (Teclnologia da Informação) e falam sobre internet, TV digital, novidades da área e etc.

Outro Podcast bastante interessante é o SALA DE CINEMA, onde o apresentador traz informações sobre os últimos lançamentos da indústria do cinema, criticando e indicando os mais diversos tipos de filmes. O tamanho desses arquivos varia de 30 min. a 1 h.
Essa tecnologia foi lançada por um ex-VJ da MTV americana e nos EUA já é mania. Escolas de inglês, boletins econômicos e os mais diversos tipos de programa estão sendo divulgados desta forma.

Os Podcasts podem ser ouvidos através de um player de MP3 comum, como o já tradicional Winamp, ou através de um software agregador, que faz o papel da administração dos Podcasts. O Software agregador baixa automaticamente para o computador do usuário, as últimas atualizações de Podcasts, não se fazendo necessárias as visitas aos sites que armazenam esse tipo de arquivo.

O programa mais indicado para baixar automaticamente essas atualizações e rodar os arquivos é o bom e velho iTunes, da Apple (http://www.apple.com). O iTunes é um programa de simples uso e, com um pouco de exploração, o usuário estará recebendo os seus Podcasts favoritos em seu computador. Para assina-los (são todos gratuitos), tudo que o usuário tem a fazer é acessar o site do autor e adicionar o endereço no iTunes.

Também é possível fazer uma busca no próprio iTunes, no diretório "Music Store" e lá pesquisar os diversos tipos de Podcasts cadastrados. Aos marinheiros de 1ª viagem, recomento acessar o site http://wwwpodbrasil.com.br, onde é possível ler um pouco mais sobre Podcasting e se interar sobre os diversos tipos de canais. Aos entusiastas da tecnologia em geral, recomendo o site http://www.papotech.com.br, onde estão disponíveis alguns Podcasts para download imediato.

É como eu sempre falo. As rádios e TV's corporativas já deixaram de ser há muito tempo a única opção. Com a chegada dos Blogs, qualquer um esta apto a escrever sobre qualquer coisa, sem necessariamente ser um jornalista. Distribuição? Para que melhor do que a própria internet? Agora chega o Podcast. Várias pessoas sem formação em comunicação passam a fazer programas em audio dos mais diversos assuntos com extrema competência. E isso sem falar que já estão começando os Videocasts (podcasts com video), mas isso é papo mais pra frente.

É realmente bastante informação e cultura disponível para quem tem interesse!

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006

Demorou, mas já estamos vivendo o futuro !

É fato. Já estamos vivendo na era LIVE. Todos estão conectados e disponíveis. O modo OFF não é mais compatível com os tempos atuais. Celulares, Orkut, MSN, WebCam, etc. Não há mais como se esconder. Não há mais como perder contato com pessoas.

Essa revolução causou alguma controvérsia no início. Acreditávamos que a tecnologia, no modo como ela se apresenta hoje, acabaria por isolar as pessoas, pois supostamente não seria mais necessário o contato pessoal, já que o contato virtual iria suprir essa necessidade. Um fato que agravava bastante essa afirmação é a crescente insegurança nas cidades. Pessoas preferem fazer seus pedidos em casa, refeições, compras, aluguel de um filme e assim por diante.

Passado algum tempo, tenho visto tudo isso de outra forma. Acredito que a atual revolução em curso, a chamada era da conectividade, tem feito justamente o contrário: tem aproximado pessoas. Tudo isso está se convertendo em benefício. Nas empresas, negociações estão sendo realizadas através de Skype, MSN. O celular agora funciona como a sonhada videoconferência, tão retratada no famoso 2001: Uma Odisséia No Espaço, do fabuloso diretor Stanley Kubrick. Nunca passamos por uma revolução tão intensa e rápida como a corrente. Num intervalo curtíssimo de tempo, popularizamos os e-mails, coisa que há pouco mais de 10 anos nem sequer sonhávamos.

As Tv’s agora passam também a entrar na era da interatividade. Vamos passar a fazer parte do todo. Vamos opinar, vamos fazer escolhas, vamos decidir através de um botão. Quando achávamos que o DVD era a solução em termos de imagem, chega o BlueRay, que vem com toda força esse ano, mostrar que o DVD é coisa do passado (o BluRay armazenará até 25 horas de vídeo e áudio, sem falar no aumento de resolução proporcionado pela nova tecnologia).

Videogames? Final dos anos 80 e até metade dos 90, tínhamos a Nintendo e a SEGA como as maiores protagonistas. Hoje? Temos a Microsoft e a SONY brigando vorazmente por este que passa a ser um dos mercados mais promissores. A indústria do cinema tem tentado se fundir com a indústria dos videogames. Temos visto, cada vez mais, jogos virando filmes, como no passado, era justamente o contrário. Videogames deixam definitivamente de ser “coisa de criança” e passam a ser verdadeiros centros de entretenimento para toda a família, embora esse conceito seja mais percebido nos EUA e em toda a Europa. O brasileiro parece ainda não ter entendido. As máquinas rodam filmes, gravam programas de TV, rodam Cd’s de música, acessam à Internet.

Um novo round se inicia, com a Microsoft entrando no mercado com a nova geração de seu Xbox, o Xbox 360. Embora ainda não tendo dito ao que veio, já que as softhouses ainda estão criando “intimidade” com a máquina, o 360 promete, já que Bill Gates tratou de reforçar suas parcerias com softhouses, ensinamento adquirido com a experiência obtida com o Xbox, que acabou não vingando pela falta de parcerias fortes e franquias de peso.

A Sony, que até então lançaria o tão aguardado Playstation 3 ainda esta ano, já apostando no lançamento definitivo da média BlueRay, acaba de se dar por conta que lançar a máquina este ano é inviável, devido aos custos astronômicos que vem obtendo. Segundo afirmações da própria empresa, embalar cada console e entregá-lo ao consumidor, geraria hoje um prejuízo enorme, devido a alta tecnologia de ponta do PS3, que virá equipado com o processador CELL, que inclusive vem sendo cotado para uso militar, devido a sua enorme poder de processamento).

Ao que tudo indica, a estratégia da Sony é lançar a máquina somente em meados de 2007, quando o BlueRay estará mais acessível, reduzindo em parte, os custos de produção, podendo dessa forma, repassar o desconto aos futuros consumidores. Com isso, poderemos assistir a uma briga acirrada da Microsoft, que já possui no mercado o 360, com o Revolution, novo projeto da Nintendo, que como diz o próprio nome, deverá revolucionar o mercado por três motivos: custo reduzido se comparado aos concorrentes, simplicidade a ponto de garantir uma diversão extrema, ao invés da preocupação quase que exclusiva e frenética dos concorrentes em liderar por tecnologia de ponta e capacidade de gerar polígonos na tela e, finalmente, a mudança do conceito de simplesmente jogar, já que o Revolution apresenta um Joystick completamente fora do convencional, onde o jogador deverá finalmente se movimentar para gerar as ações na tela.

É uma idéia nova, já foi explorada no passado, porém não foi muito bem recebida por ter sido apresentada em várias plataformas somente como acessório. Parece que dessa vez a Nintendo está entrando de cabeça nesse conceito. Segundo o CEO da empresa: “Enquanto Sony e Microsoft brigarão pela máquina mais poderosa, estaremos oferecendo uma alternativa mais em conta, onde a diversão será o tópico principal. Iremos definitivamente remar contra a maré, pois não queremos bater de frente mais uma vez com Sony e Microsoft. Queremos inovar.”

Apesar da declaração da Nintendo, o design do Revolution não vem inspirando confiança. Trata-se de um design de certa forma “quadrado demais”, fujindo do atual conceito onde tudo é arredondado. Trata-se de um design sem atrativos e um pouco obsoleto, diferente do PS3 da Sony, que apresenta, mais uma vez, um design futurístico e cheio de atrativos (Na época de seu desenvolvimento, foram contratados para definir o design do atual PS2, a mesma equipe contratada para criar o design de palco do U2). A Microsoft também não decepciona com o 360, trazendo uma evolução do Xbox um pouco mais arredondado.

Para os fanáticos por tecnologia como esse que vos escreve, será realmente, um ano cheio de novidades. Teremos a escolha do padrão de TV digital, o lançamento do BlueRay, o lançamento do Windows Vista e a incorporação em definitivo do modo “LIVE” na vida das pessoas.
Podemos dizer que uma tecnologia vingou, quando ela passa definitivamente a fazer parte da vida das pessoas. Alguém já parou pra reparar que aqueles isqueiros acesos em shows de bandas de rock pela platéia são coisa do passado? Agora a estrela do momento é a luz do celular, que ficou bem evidente para todos durante a transmissão do show do U2 pela Rede Globo.

Falando em Rede Globo, parece que as coisas já estiveram mais tranqüilas por lá. A escolha do padrão de TV Digital, cotada para entrar em operação em Setembro, tem abalado as estruturas da empresa. Como o novo padrão irá disponibilizar mais canais para a TV aberta, surgirão mais canais para competir com o monopólio Globo. Outro ponto que tem preocupado a emissora, tem sido a publicidade.

Com outros canais disponíveis, os anunciantes poderão escolher outras emissoras mais interessantes para divulgar seus produtos, já que hoje, podemos dizer que quem é bom tem que anunciar na Globo, senão não vale. Acredito que esse monopólio está em xeque. Mas, como todos sabemos, a Globo tem lá suas influências, principalmente no meio político.

Vamos aguardar as cenas do próximo capítulo ...

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

Pseudo Celebridades !

E agora? E esse tal de fenômeno Katilce? Katilce? Quem diabos é Katilce? E que raio de nome é esse? Tudo bem, foi ela quem subiu ao palco no show do U2 e dançou com o cara. Mas e o que mais? Essa é a questão, com a tecnologia, conectividade, e toda essa idéia de exposição, é muito fácil pra alguém sair do anonimato total para tornar-se uma celebridade. Tudo acontece naquele segundo mágico onde, do nada, a pessoa passa a ter algum Status, seja ele qual for.

Tudo bem, é normal a garota ter sido levada no programa da Ana Maria para ser entrevistada. Até aí tudo bem. A coisa iria parar por aí, sem motivos para maiores estardalhaços. Mas, na internet a coisa não tem caminhando por aí. Digamos que o Orkut tem sido o maior “vilão” de toda essa história. Logo depois do ocorrido, borbulhaam novas comunidades sobre a Katilce. Aliás, fiquei realmente impressionado com o poder que tem esse Orkut. Durante as transmissões da rede globo, tanto do show dos Rolling Stones como do U2, acompanhei postagens quase que imediatas. As discussões estavam acontecendo praticamente em tempo real.

Katilce bateu o Record mundial no Orkut, cerca de 240 Scraps por minuto e em 6 horas decorrentes, um total de 37.390. Não sei se esses dados são confiáveis, pois foram colhidos diretamente do orkut sem nenhuma fonte citada.
É curioso como são criadas as “celebridades” de hoje. Hoje vemos Bruna surfistinha vendendo livros sobre a própria prostituição e ficando famosa, vemos pessoas saindo do BBB como Deusas e agora vemos a Katilce na boca do povo, sem trocadilhos infames, por favor.

Realmente, ser famoso hoje em dia ficou mais fácil. Porém, ser celebridade de verdade, por ter feito algo magnífico, por talento ou mérito, acho que ficou bem mais difícil, dada a atenção que a mídia dispensa a essas pseudo-celebridades, muito mais rentáveis em matéria de publicidade. Daqui a pouco vão dar um nome “artístico” pra Katilce, por questões de marketing.

Quem sabe, simplesmente “KAT”.

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

Rolling Stones X U2 – Dobradinha dos Sonhos

Nas próximas linhas, falo sobre a transmissão da Rede Globo para os shows dos Rolling Stones e do U2. Ao longo do texto, também exponho minha opinião a respeito dos dois shows. Confira!

THE ROLLING STONES...

...sábado, dia 18 de Fevereiro, às margens da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Já são mais de 22 horas...

A Transmissão
A Rede Globo entra com a sua transmissão “ao vivo”. Quem prestou um pouquinho de atenção, percebeu que a Globo, logo acima do seu logo no canto inferior direito da tela, não exibiu o tradicional “ao vivo”. Sim, a transmissão foi anunciada como sendo ao vivo, mas a emissora gravou o show para poder transmiti-lo inserindo o “toque globo” que conhecemos desde que começamos a assistir sessão da tarde: os infames comerciais.

Não cheguei a contá-los, mas acho que durante a transmissão do show dos STONES, foram executados no mínimo três. Realmente incomoda, principalmente para quem realmente gosta da banda e estava ávido para ouvir o repertório a ser executado naquela noite. Um ponto positivo de o show ter sido gravado ao invés de ser transmitido ao vivo? É, pelo menos as músicas não foram cortadas.

Ao inserir os comerciais, a Globo “pausava” a transmissão e continuava depois dos anunciantes fazerem a festa naquele horário “nobríssimo”. Não consigo imaginar a fortuna cobrada para veicular um comercial de 10 segundos nos intervalos do show. É verdade, teve o Zeca Camargo. Achei extremamente dispensável a presença dele ali, falando sobre os STONES. A banda dispensa apresentação até para E.T. (sim, a NASA já emitiu acordes de Satisfaction pelo espaço em busca de respostas). Camargo fez questão de pousar de canastrão, falando frases feitas, no estilo “eles são realmente os dinossauros do rock. Eles dão um show a parte. Eles deixam a platéia sem fôlego”. Não não, não era necessário Camargo. Nós já sabemos de tudo isso.

Pra finalizar: A Globo editou a entrada e a saída da banda. Não vimos a banda saindo do Copacabana Palace através da tão falada passarela. Também não vimos a banda se despedindo, já que, durante Satisfaction, os créditos da banda e da transmissão começaram a subir, trazendo à tona o indesejável símbolo da Rede Globo naquela hora. Mas, vamos ao que interessa:

O Show
Realmente. Foi um início de show bombástico. Jagger e sua trupe abrem o show com Jumpin’ Jack Flash, anunciando que o estrago, a partir dali, seria grande, como todos prevemos. E em boa parte, realmente foi. Vieram It’s Only Rock And Roll, You Got Me Rocking e Tumbling Dice. Logo em seguida, tivemos a execução de Oh No, Not You Again, nascida já clássica no novo disco da banda A Bigger Bang, lançado em 2005. Tivemos surpresas: Midnight Rambler, Night Time Is The Right Time, Happy e Get Off My Cloud, todas clássicas que há muito não eram executadas nas turnês anteriores. A platéia VIP, colocada na frente do palco pela CLARO, não soube apreciar essas pérolas e passou a maior parte do tempo apática, como se estivesse vendo um show de uma banda local, mas não vou entrar nessa discussão aqui.

Parece que a grande maioria foi mesmo para ouvir Start Me Up, pérola laçada em 1981 no álbum que é considerado até hoje um dos melhores dos STONES, Tatoo You. Vale lembrar também a inclusão de Can't Always Get What You Want, que muitos também não souberam dar o devido valor. Aí chega Satisfaction e faz um terremoto acontecer em Copacabana. Era o final que todos estavam esperando.

Particularmente já assisti shows dos STONES bem melhores do que este. Em 95, a bordo da turnê Voodoo Lounge, a banda fez um show histórico no Brasil. O show em Copacabana, além de curto demais para a estrutura que foi montada (foram executadas somente 20 músicas) e por todo o frisson gerado em torno, isso sem falar do evento histórico que estava sendo realizado naquele momento, deixou um pouco a desejar na minha opinião. A banda está em excelente forma, não há o que questionar, mas faltou um tempero extra que não veio até o final do show.

De qualquer forma, foram os STONES, foi rock and roll de primeiríssima linha como diz meu amigo SKY, foi megalomaníaco, foi performático, foi agitado e foi calmo. Foi na dose certa. Talvez eu estivesse esperando que eles realmente assumissem que vieram de outro planeta e que não irão morrer nunca. Acho que é por isso que estou aqui um pouco insatisfeito. Ainda não foi dessa vez.


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U2...

...segunda, dia 22 de Fevereiro, estádio do Morumbi, em São Paulo. Já são mais de 22 horas...

A Transmissão
Nos mesmos moldes da transmissão do show dos STONES, a transmissão do show do U2 pisou nas mesmas bolas. Mas dessa vez, tivemos uma pisada extra: novamente nosso amigo Zeca Camargo inventa fazer uma introdução do U2 na correria, citando o nome do vocalista do U2 diversas vezes. Enquanto isso, a banda já iniciava a execução da bela City Of Blinding Lights, do último disco da banda, How To Dismantle An Atomic Bomb, lançado em 2004, levando a platéia ao delírio. Percebi que a Globo estava mais “confortável” na transmissão do U2, devido ao teor mais pop da banda, ao invés do Rock And Roll "desesperado" dos STONES. Isso se comprova na cobertura dada pós show, pelos telejornais da emissora.


O Show
Seguem Vertigo, Elevation, Until The End Of The World e New Years Day, pra ninguém colocar defeito. A partir daí o show adquire um teor mais burocrático não perdendo qualidade, mas perdendo um pouco em ritmo com a execução fora de hora de I Still Haven't Found What I Looking For. Apesar da inclusão precoce, a banda foi ovacionada nesse momento. A partir daí o show já segue em uma clima mais morno. Dou destaque aqui a Miss Saravejo, que acabou caindo como uma luva. Logicamente, fez falta a voz de Luciano Pavarotti, que na gravação original, fez um dueto com Bono. Confesso que minha maior decepção foi a exclusão de três clássicos que a banda vinha executando com maestria nessa turnê: Electric CO., An Cat Dub e Into The Heart, todas gravadas em 1980, no álbum Boy, 1º disco da banda.
Talvez por serem desconhecidas do público em geral e ocasional, acabaram sendo excluídas sem dó, fato que deve ter decepcionado verdadeiros admiradores da banda, como eu. Muita gente que estava no show, conhece apenas o U2 da rádio, os sucessos radiofônicos, quando muito do bom material gravado pelos caras está justamente nas faixas não comerciais, incluindo aí o último disco, onde não consigo entender porque a faixa A Man And A Woman ainda não estourou, pois trata-se de uma música que poderia ter sido gravada nos primeiros discos da banda, pois apresenta uma sonoridade pura e clássica, há muito perdida. É, na minha opinião, uma das melhores do disco.

Muito me decepcionou também a execução do clássico Mysterious Ways, onde Bono mostrou um vocal “matado”, deixando bastante a desejar se compararmos a outras apresentações e inclusive à gravação original. Zoo Station, clássica do álbum Achtung Baby, lançado em 91, também deixou um pouco a desejar, pecando pela falta dos graves de Adam Clayton e pelo ritmo mais cadenciado que a música vem sendo executada na turnê atual. Mas, de qualquer forma, foi bom ouvi-la novamente fazendo parte do Set List dos caras.

Original Of The Species, do novo CD, tendo inclusive videoclipe exibido pelo Fantástico no último Domingo, foi a penúltima música do show. Na minha opinião nem precisava ter sido tocada. Não pela qualidade da música. A música é boa, mas não o suficiente para estar no meio de um repertório tão bom.

Eu já ia esquecendo: E Gloria e I Will Folow? Essas músicas deixaram uma lacuna enorme no show.
Um detalhe curioso e que deixou todos os Catarinas orgulhosos, foi a inclusão, na música Beautiful Day, do verso "Amazônia, Amapá, Santa Catarina". Santa Catarina foi citada em português claro e perfeito, sem qualquer sotaque, o que é de surpreender.

Concluindo, o show do U2 em São Paulo, realizado no dia 21 último, agradou bastante aqueles que esperavam ouvir os sucessos radiofônicos clássicos e recentes, não deixando nesse ponto muito a desejar. Já os fãs mais interessados em trabalhos mais antigos e principalmente quem acompanha a banda desde a sua origem e influências, sentiram-se um pouco decepcionados por esse U2 corporativista que surge. De qualquer forma, Bono e Cia ainda são, sem sombra de dúvida, a maior banda de pop rock da atualidade, devido a sua carreira e por ter mantido por todo esse tempo os integrantes originais. Entusiastas da música sabem o quanto isso tem importância para uma banda.