Especial? O que tem de Especial?

E então .... final de ano chegando, Natal já foi, todo mundo comeu a sobra da ceia no dia seguinte e agora entramos na ultima semana do ano. MARAVILHA: Roberto Carlos no Especial de Final de Ano .... não é emocionante?
O artigo do Nirlando Beirão publicado na revista Carta Capital nº 373 trata exatamente disso. Aliás, vou publicá-lo nesse espaço para que vocês desfrutem dessa pérola, afinal, tem gente que não tem papas na lingua mesmo, e isso é bom demais!
Antes de mais nada, gostaria de elucidar que nada tenho contra o ícone Roberto Carlos. Um profissional de renome que atingiu o status que ele atingiu, merece no mínimo, reconhecimento. Até gosto de algumas músicas dele no início de carreira. A única coisa que condeno é a atitude da Rede Globo em insistir com esse "especial" todo final de ano!
Bom ... leiam o artigo ...
"Previsível como o peru de Natal, Roberto Carlos já deu as caras para o rito mais manjado de todos os finais de ano. Gravou aquele seu especial que faz tempo que de especial não tem nada. Fez a platéia esperar por duas horas para, enfim, subir ao palco com aquela démarche de quem carrega um imaginário manto de arminho às costas. Cantou o que todo mundo sabia que ele iria cantar e deixou consignada uma única, incrível, escandalosa novidade.
Além daquele seu indefectível azul-bebê, sabe-se agora que o Rei – parem as máquinas! – já se digna a usar azul escuro. Se Roberto Carlos se julga, no culto cabalístico da repetição, uma cópia rediviva de Cézanne – que pintava as mesmas maçãs e as mesmas montanhas...; se Ele se espelha em Bobby Dylan, capaz de destilar uma nova essência harmônica, uma surpresa melódica cada vez que revisita os seus hits mais antigos; se Roberto Carlos se acha, enfim, um artista da estatura dos gênios, isso é problema dele e azar de uma platéia de fervor religioso e, agora, pendor para o sadomasoquismo.
Eles lá que se entendam. O incompreensível é que a Globo ceda, ano após ano, ao vodu supersticioso do eterno déjà vu, como se a novidade fosse um risco e a falta de imaginação, um cânone. Aliás, a bem da verdade, não é apenas no rebarbativo replay do Rei – um cantor que é sempre um flash-back – que as libações de fim de ano obscurecem qualquer possibilidade de algum resíduo de inteligência criativa vir a contaminar o já resignado telespectador. Antes que o Faustão ou o Huck mandem escovar, meio a contragosto, aquele smoking de Ano Novo, a Globo despeja em cima da lassidão natalina seis ensaios de dramaturgia – “especiais”, apesar do desgaste do novo, selecionados como potenciais candidatos ao horário nobre de 2006, tipo Hoje é Dia de Maria.
Vão ao ar por esses dias, nas frestas da programação, assim como uma Estação Globo, que tem o propósito de servir de contraponto (com Ivete Sangalo e convidados) à melancolia do Rei. Pelas leis darwinianas do ibope, sobrevive o mais forte, com direito, quem sabe, a lugar fixo dentro da grade da emissora. Ah, a grade. A grade é o problema. Grade lembra prisão. Grade é prisão. Nos momentos em que a grade cochila, alguma luz se produz. Por exemplo: a grade descansa em janeiro.
Não por acaso o Ano Novo vai resplandecer, na tela da Globo, iluminado pela figura ficcional de Juscelino Kubitschek – o presidente que todo presidente gostaria de ser – e pelo talento dramatúrgico de Maria Adelaide Amaral, autora do seriado. Passadas as férias e o verão, a mediocridade volta a comandar, em toda a sua glória."
Concordo 100% com o artigo do Nirlando. Portanto, também é importante deixar claro que a TV Globo a cabo (GLOBOSAT) nada tem haver com esse canal aberto que está disponível à todos. Diferente do "conteúdo tosco" exibido diariamente diante dos brasileiros, os canais a cabo dão um show no que se refere à cultura, entretenimento e informação que realmente interessa. Mas cabe aqui um questionamento: O canal aberto é tão ruim assim poque a emissora quer ou porque o povo gosta?
:]


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